Do último
batimento
ao próximo.
A jornada de um órgão no Estado do Rio de Janeiro, do óbito do doador até o implante no novo receptor. Em cada etapa, você vê o que acontece de verdade e como o Colibri junta tudo numa tela só.
É o tempo máximo que um coração costuma aguentar fora do corpo.1 A contagem começa no clampeamento.
Cada sim de uma família
vira uma corrida contra o tempo.
O Brasil tem o maior sistema público de transplantes do mundo, e o Rio é um dos estados que mais dizem sim. Depois do sim, tudo depende da logística.
Tudo começa com uma perda.
A doação de órgãos de um doador falecido quase sempre parte da morte encefálica: a parada definitiva e irreversível de todas as funções do encéfalo. O coração ainda bate com suporte da UTI, e é isso que mantém os órgãos viáveis.
- O diagnóstico segue a Resolução CFM nº 2.173/2017: dois exames clínicos feitos por médicos diferentes, teste de apneia e um exame complementar.2
- Os médicos que fazem o diagnóstico não podem fazer parte das equipes de retirada e de transplante.3
- A comissão do hospital (CIHDOTT) notifica todo caso suspeito. O RJ tem mais de 100 dessas comissões.5
A central recebe um pré-aviso do hospital no momento em que o protocolo começa. O hospital já aparece no mapa, com a distância e o tempo até os centros transplantadores. A logística começa a ser pensada horas antes do sim.
- 1Internação e tratamentoCausa conhecida e irreversível; ao menos 6 h de observação≥ 6 h
- 21º exame clínicoComa sem resposta e reflexos do tronco ausentes07:30
- 3Teste de apneiaFeito uma vez, sem movimento respiratório07:50
- 42º exame clínicoOutro médico, no mínimo 1 h depois08:40
- 5Exame complementarAusência de fluxo ou atividade cerebral09:10
- 6Óbito declaradoA família é informada antes de qualquer conversa sobre doação09:20
No Brasil, quem decide
é a família.
Não basta ter dito em vida que queria ser doador. A retirada só acontece com a autorização do cônjuge ou de um parente maior de idade, assinada diante de duas testemunhas.3
- A recusa familiar é o maior obstáculo do país: 45% das famílias abordadas no Brasil não autorizaram a doação entre janeiro e setembro de 2025.4
- No Rio, a conversa tem dado mais certo: 67% das famílias autorizaram em 2025.5
- A entrevista acontece só depois que o óbito é confirmado e comunicado. Acolhimento e tempo para a família fazem diferença no resultado.
O Colibri não entra nessa conversa, e é assim que deve ser. Ele também nunca guarda nome, CPF ou prontuário de doador nem de receptor. A tela fala de órgão, hospital e horário.
O sim chega à central.
Começa a coordenação.
A Central Estadual de Transplantes recebe a doação autorizada e passa a coordenar tudo: quais órgãos são viáveis, quem vai buscar, como e em quanto tempo.
- Hoje isso passa por ligações, grupos de WhatsApp, planilhas e rádio, ao mesmo tempo.
- Quando há várias captações no mesmo dia, ninguém vê o quadro inteiro, e a escolha entre carro e helicóptero vira conta de cabeça.
A central lança a captação: hospital de origem, órgãos e horário. Na mesma hora o Colibri compara o carro e o apoio aéreo com o limite de cada órgão. Se o carro não chega a tempo, o pedido de apoio aéreo à SOAer sai sozinho.
Coração · Campos → Rio
Uma lista única.
Um receptor.
A lista de espera é única no país, gerida por estado pelas centrais de notificação, captação e distribuição. Quem está inscrito no RJ concorre primeiro aos órgãos captados no RJ.8
- Contam compatibilidade sanguínea, peso e altura, compatibilidade genética em alguns órgãos, gravidade, tempo de espera e proximidade.8
- A fila não é por ordem de chegada. Para o coração, quem depende de circulação extracorpórea fica no topo da prioridade.8
- Se nenhum receptor do estado for compatível, o órgão vai para a Central Nacional.
O Colibri não escolhe o receptor: a distribuição segue o sistema do SNT. Ele recebe o destino (o centro transplantador) e, a partir daí, trabalha para os dois lados ao mesmo tempo.
- Tipo sanguíneo compatívelABO
- Peso e altura compatíveisantropometria
- Gravidade do quadroprioridade
- Tempo de espera e proximidadedesempate
Quem vai, como vai
e quando sai.
A equipe que faz a retirada sai do centro transplantador e vai até o doador. A central precisa juntar equipe livre, veículo e, quando preciso, aeronave, tudo dentro da janela do órgão.
- O apoio aéreo depende de regras próprias: voo só de dia, autonomia da aeronave e heliponto no destino.
- Cada pessoa precisa saber a sua parte: a equipe, o motorista e o piloto.
Um toque em Propor plano: o Colibri escolhe a equipe livre, o modal e a aeronave e mostra os conflitos antes que aconteçam (pôr do sol, autonomia, equipe ocupada). Cada participante recebe um link próprio, sem instalar nada e sem senha.
Dois hospitais,
um mesmo relógio.
Enquanto a equipe viaja até o doador, o centro transplantador prepara o receptor. A cirurgia do receptor começa antes de o órgão chegar, para o implante começar assim que ele entra na sala. Para isso, os dois lados precisam da mesma previsão.
- Lado do doador: manter o doador estável, reservar o centro cirúrgico e receber a equipe.
- Lado do receptor: chamar o paciente, fazer os exames finais e marcar a sala para a hora certa.
A central já vê a previsão de chegada de cada missão, que se corrige com os marcos e o GPS. O próximo passo é um link para cada hospital, sem login, só com a previsão daquela captação.
Doador
- 12:30Centro cirúrgico reservado
- 12:40Equipe A decola do Rio
- 14:10Equipe chega ao hospital
- 14:15Início da retirada
Receptor
- 12:15Receptor convocado
- 13:30Internação e exames finais
- 15:45Sala marcada pela previsão
- 16:20Início da cirurgia do receptor
14:50. O relógio
começa a correr.
No clampeamento a circulação do doador é interrompida, e o órgão é resfriado e preservado. A partir daí começa a isquemia fria: o tempo entre a retirada e o implante no receptor. Cada órgão tem o seu limite.1
- Quanto mais perto do limite, maior o risco de o órgão não funcionar bem no receptor.
- Para o coração, a diretriz brasileira recomenda não passar de 4 horas.7
A equipe toca Clampeamento no link. O relógio de isquemia começa na central e a chegada prevista passa a contar contra o limite do órgão: Folga até 60% do limite, Atenção até 80% e Crítico acima disso.
Coração: o órgão mais urgente da captação.
Tempos máximos normalmente aceitos, segundo o Sistema Nacional de Transplantes.1 Cada equipe pode trabalhar com limites próprios, ajustáveis no cadastro do Colibri.
Terra ou ar?
A conta em um segundo.
De Campos ao Rio são mais de 4 horas de estrada, mais do que o limite de um coração. De helicóptero, a viagem cabe com folga. Escolha a cidade e o órgão para ver a conta.
Estimativa simples para a demonstração: carro = distância em linha reta × 1,3 a 70 km/h; apoio aéreo = linha reta a 90 nós + 20 min de solo. No sistema, o carro usa a rota real da estrada.
A aeronave aparece ao vivo no mapa da central. O plano já considera o pôr do sol: se o voo cairia à noite, o Colibri bloqueia a opção e propõe outra antes que alguém precise perguntar.
missões aéreas com órgãos e tecidos no RJ, de maio de 2021 a dezembro de 2023.9
delas coordenadas pela SOAer, com um único helicóptero, o Saúde 01.9
de voo, em média, por missão de transporte de órgão.9
dos transplantes de coração no RJ em 2023 usaram transporte aéreo. Campos lidera os embarques.9
Quem está em campo
atualiza a central.
O helicóptero pousa no Rio às 16:40. Quinze minutos depois o órgão entra no centro transplantador. A central acompanha cada etapa sem precisar ligar para ninguém.
- Cada marco tem horário: saída, chegada à origem, clampeamento, saída do órgão e chegada ao destino.
- Com o GPS do celular, a previsão se corrige sozinha.
O participante toca Lançar chegada, e a central vê na hora. A tela confirma o fato: “Chegada lançada às 16:55”. A ordem de missão sai pronta para mandar ou imprimir.
Coração
- Saída da equipe12:40
- Chegada à origem14:10
- Clampeamento14:50
- Saída do órgão15:05
- Chegada ao destino16:55
Corrigida pelo GPS da equipe.
17:55. O coração
volta a bater.
Com o implante e a reperfusão, o sangue do receptor volta a passar pelo órgão e o relógio da isquemia para: 3h05, 55 minutos antes do limite. A jornada de um coração terminou. A de quem o recebeu começa agora.
Um único doador pode salvar até 8 vidas.5
Cada captação fica no histórico, com o previsto e o realizado lado a lado. É assim que as estimativas da próxima captação ficam melhores. O marco de reperfusão, que fecha o relógio, é proposta.
| Marco | Previsto | Realizado |
|---|---|---|
| Saída da equipe | 12:40 | 12:42 |
| Chegada à origem | 14:05 | 14:10 |
| Clampeamento | 14:45 | 14:50 |
| Saída do órgão | 15:00 | 15:05 |
| Chegada ao destino | 16:58 | 16:55 |
| Reperfusão | 17:50 | 17:55 |
Dez etapas. Uma tela.
O Colibri não substitui o trabalho clínico nem a lista do SNT. Ele junta a logística, que hoje está espalhada em telefones, grupos e planilhas, num lugar só, para a central e para quem está em campo.
Mostrar isso juntos
na FIS Week 2026.
O maior festival de inovação em saúde da América Latina acontece no Rio. É o palco certo para mostrar o Estado coordenando transplantes com tecnologia própria.
Marina da Glória, Rio de Janeiro
Secretaria de Estado de Saúde
Esta jornada e a simulação de um dia de captações
O visitante lança uma captação e vê o plano
- Validar o fluxo com a centralAjustar etapas, nomes e limites ao jeito que o RJ Transplantes trabalha hoje.
- Confirmar hospitais e helipontosCoordenadas, centros captadores e transplantadores do Estado.
- Acesso próprio do RJ TransplantesEntrada com a identidade do programa. A SOAer aparece como parceira aérea.
- Montar a demonstração do estandeCenário com dados fictícios, telão e tablet interativo.
De onde vêm os números
- Ministério da Saúde · Sistema Nacional de Transplantes. “Após a retirada do órgão do doador, em quanto tempo ele deve ser transplantado?” Coração 4 h, pulmão 6 h, fígado 12 h, pâncreas 12 h, rim 48 h. gov.br/saude
- Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 2.173/2017, critérios do diagnóstico de morte encefálica (resumo dos pré-requisitos, exames clínicos, teste de apneia e exame complementar). Sanar Med
- Lei nº 9.434/1997 (Lei dos Transplantes), art. 3º e art. 4º, com a redação da Lei nº 10.211/2001. planalto.gov.br
- ABTO · Registro Brasileiro de Transplantes, janeiro a setembro de 2025: 20,2 doadores efetivos por milhão e 45% de não autorização familiar. site.abto.org.br
- Diário do Rio, 20/05/2026, com dados do RBT 2025 da ABTO: RJ com 22,4 doadores por milhão, 67% de autorização familiar, mais de 100 CIHDOTTs e até 8 vidas por doador. diariodorio.com
- Medicina S/A, 08/05/2026: 31 mil transplantes no Brasil em 2025 e 4.808 voos para transporte de órgãos. medicinasa.com.br
- Bacal F. et al. 3ª Diretriz Brasileira de Transplante Cardíaco. Arq Bras Cardiol 2018;111(2):230-289. Citada em Martins et al. (fonte 9).
- CNN Brasil. Fila de transplante de órgãos: entenda critérios e funcionamento. cnnbrasil.com.br
- Martins F. B., Medina R. M., Gonçalves A. B. S., Perlingeiro R. C., Mello D. B. Análise do transporte aéreo de órgãos vitais e tecidos na gestão SOAer/SES-RJ. 2024. resgateaeromedico.com.br